Review: Ultra Brasil 2017

Vocês que me acompanham há um tempinho sabem que o Ultra é o meu festival do coração. Já tive a oportunidade de ir para o Ultra Miami duas vezes (em 2015 e 2017) e sou apaixonada por tudo que vivi lá e toda a experiência de cultura e de vida que o evento me proporcionou.

Desde a primeira edição aqui no Brasil, eu não consigo enxergar os dois eventos como uma mesma marca, apesar de toda a estrutura trazida para cá. A ambientação é toda diferente, a vibe, tamanho do evento, palcos, enfim…

Eu sei, é claro, que eles nunca serão iguais de fato, seria ingênuo demais da minha parte esperar que um evento que acontece há 20 anos nos Estados Unidos viesse com toda a estrutura e excelência ao Brasil em apenas 2 edições. Da mesma forma, o Tomorrowland do Brasil nunca vai ser igual ao da Bélgica e nenhum outro será igual ao seu respectivo original.

“Ok, Amanda, mas onde você quer chegar?”

O fato é que mesmo sabendo de tudo isso, eu tenho dentro de mim essa base de comparação – e fica inevitável o fazer – mas eu tento enxergar os eventos de maneiras distintas para não criar expectativas falsas e assim aproveitar o máximo que puder, livre de pré-conceitos.

Nós nos divertimos MUITO. Foi tudo incrível, todas as apresentações, toda a vibe, tudinho…mas o meu intuito aqui é fazer uma crítica construtiva, da maneira mais imparcial e justa que puder, sem puxar a sardinha para nenhum dos lados (nem do público e nem dos organizadores), mas sim documentar fatos que NÓS vivemos nos 3 dias de evento, que pode ter sido semelhante ou completamente diferente da experiencia de outras pessoas nos mesmos dias.

Pré Evento

Eu achei bem esquisito que depois do início da venda de ingressos a parceria entre o site de vendas de ingresso e o Ultra acabou. Muitos consumidores ficaram desamparados e sem informação sobre o paradeiro de seus ingressos e como proceder. Nós mesmos tivemos que entrar em contato com a organização através do e-mail no site para saber onde estavam nossos ingressos válidos, pois os do site onde compramos não tinha validade alguma. Apesar do problema ter sido resolvido facilmente, achei que faltaram informações ao público, faltou divulgar alguma informação mais precisa e difundi-la.

Alguns Djs que foram anunciados na phase 2 do line up não apareceram no timetable quando este foi liberado. Eles “sumiram” sem nenhuma explicação. Por exemplo Alok e Art Departament. Não houve nenhum esclarecimento por parte da organização.

Estrutura

O palco Main Stage ficou com um ar inacabado. Toda a estrutura metálica estava aparente por trás das telas de led. Em 2016 foi colocada uma lona preta no fundo que, no geral, deixou o palco melhor acabado e com uma certa profundidade.

A pista Resistance melhorou da água para o vinho. Em 2016 foi montado um palco bem simples, com bem menos jogos de luzes (sabemos que na primeira edição o evento teve que ser transferido para o Sambodromo de última hora e isso prejudicou a montagem dos palcos, mas a comparação é inevitável). Esse ano foi montada uma grande estrutura em forma de arco – com topo coberto e laterais abertas – com certa semelhança com a pista “Carl Cox and friends” e “A State of Trance” de Miami, guardadas as devidas proporções e as considerações feitas no início desse texto.

 

Bares

Os bares estavam funcionando perfeitamente, apesar da equipe mal instruída, que não soube esclarecer duvidas simples sobre os produtos oferecidos.  Não tivemos problema para pegar bebida em nenhum momento, com fila mínima ou ausência dela em todas as tentativas. O cardápio deixou a desejar em termos de aparência. Os itens de consumo foram impressos em folha sulfite, de maneira bem simples e sem plastificação.

No terceiro dia os energéticos se esgotaram na pista por volta das 21h. Esse, para mim, foi um dos piores pontos de todo o evento.

Os bares do VIP também funcionaram bem durante todo o tempo e não houve problema com falta de produtos. Não posso falar de todos os itens, mas sei que a vodka servida no VIP não era a mesma que a servida na pista, e por isso estava mais cara. Na pista custava R$20 (Smirnoff) e no VIP R$30 (Ciroc). Águas vendidas a R$8 em ambos.

Banheiros

Quase 100% das vezes em que precisamos usar os banheiros estávamos próximos à pista Resistance. Nos banheiros que atendiam à essa pista, não tivemos problemas com filas grandes e tive a sorte de conseguir papel com uma funcionária designada apenas para essa função em todas as vezes que precisei. Os banheiros do VIP possuíam uma estrutura melhor, mais iluminada e lugar para lavar as mão e espelho.

Área VIP

Vale a pena? Sim e não. Depende do que você precisa.

Na minha opinião, o VIP vale muuuuito se você não quer ficar na fervura da pista, mas quer curtir o show de pertinho. A vista para o Main Stage era ótima, dava pra dançar, ver o palco todo e curtir mais “em paz”, digamos assim. Porque sabemos que na pista ou a gente fica lá no fundo e não vemos a apresentação com tanta clareza, ou temos que estar dispostos a enfrentar o calor humano e um ambiente mais apertado lá na frente.

Se os seus Djs de preferência não vão se apresentar no Main Stage, mas sim nos demais palcos, não sei se vale a pena. Isso porque o VIP tem vista apenas para o Main. Mas vale lembrar que ainda sim existem os bares e banheiros exclusivos. Então tem várias coisas que devem ser colocadas na balança.

Segurança

Não aconteceu com a gente, mas soube de muuuuitos furtos no evento. Apesar de ser comum em eventos desse porte aqui no Brasil (um absurdo), talvez faltou uma equipe de ronda no meio da pista. Não sei ao certo, falo frente ao que ouvi e não ao que eu vi. Não estive no front do Main para falar com propriedade, é apenas um questionamento. Também ouvi relatos de que o padrão de revista variada gritantemente de pessoa para pessoa na entrada do festival. Enquanto alguns passavam com praticamente zero revista, seja ela tátil ou mochilas e afins, outros tiveram que tirar sapatos e mostrar os pertences detalhadamente.

Alteração de horários

No dia 2 o evento foi atrasado em 1 hora, sem esclarecimento ao público do motivo e sem anúncio nas redes sociais para alertar para as pessoas não saírem tão cedo. O portão que era para abrir às 17h foi aberto perto das 18h, mas com acesso somente na pista Resistance, seus respectivos bares e banheiros e aos food trucks. A passagem para os demais palcos (Main Stage e UMF Radio) foi aberta por volta dàs 19h.

Por esse motivo ocorreram algumas alterações no line up, com troca de horários de alguns artistas, o que chateou bastante o público, principalmente no Main Stage.

Para compensar o ocorrido e nenhum artista ser colocado de fora do timetable do dia, foi anunciado que, devido ao atraso, o festival, com término previsto para as 02h, iria ser estendido até as 4h. Às 3:30h foi encerrado por pedido da polícia, no meio de um set.

Dia 3

O dia 3 foi um caso à parte, lotado de falta de informação, instrução e pessoas.

Circularam, em diversos sites e redes sociais, links para que pessoas fizessem um cadastro e colocassem os nomes em uma lista vip de acesso ao evento. O que dizer sobre isso?

É bizarro pensar que fomos tão “prevenidos” ao fazer o pré cadastro no site oficial para ter acesso à venda antecipada de ingressos; depois nos logamos – pontualissimamente – no dia e horário agendados para inicio da pré venda e enfrentamos uma fila virtual para comprar ingressos a cerca de R$ 300; programamos toda a viagem, com despesas de passagem de ida e volta, hospedagem, alimentação e transporte + consumo dentro do evento…. tudo isso com tanta antecedência, buscando suavizar os custos e viabilizar o festival, para simplesmente ter que dividir espaço com centenas (e quem sabe não milhares) de pessoas que mal sabiam quem eram os Djs que se apresentariam na noite – e o pior: com nome na lista vip.

Resultado: superlotação, desfalque de itens nos bares, circulação quase que impossível no entorno dos palcos, público revoltado e se sentindo completamente desrespeitado.

Não estou entrando no mérito de “existe uma explicação plausível para o que aconteceu” ou não. Eu até acredito que exista sim, mas isso não minimiza e muito menos exclui um mal planejamento em alguma etapa de todo o processo. Acredito que o problema tenha sido bem maior do que o que documento aqui e que obviamente os organizadores tenham agido pensando no melhor, mas meu intuito sempre foi passar para vocês o meu ponto de vista como público.

Além de toda falta de informação por parte da equipe que trabalhava no evento para esclarecer duvidas simples como “onde é a saída?” e “onde acessamos a sala de imprensa”, no último dia houve uma alteração total nos acessos que tínhamos nos dias 1 e 2. A própria sala de imprensa foi trocada de lugar, poucos ou quase nenhuma pessoa sabia nos redirecionar ao novo local.

Considerações Finais

Como eu falei no inicio desse post, não podemos esperar a mesma excelência do Ultra Miami (que existe ha 20 anos) de um evento que acontece pela segunda vez aqui no Brasil. Aconteceram imprevistos? Sim, e isso é absolutamente normal! E são coisas que – como o nome já diz – não são possíveis de prever, que acontecem na “hora do vamos ver” e somente nessa hora… para poderem ser corrigidas futuramente e melhorar cada vez mais a produção de um evento de nome tão forte no mundo todo.

Fica aqui o meu ponto de vista, lembrando que curti cada momento com todo amor e carinho que tenho pelo nome Ultra, e que espero do fundo do coração que a marca só cresça no nosso pais pois, além de ter recebido mais de 90.000 pessoas nos 3 dias de festival (onde cerca de 70%, turistas em passagem pelo Rio de Janeiro), movimentou por volta de R$ 25 milhões para sua realização, impactando e trazendo um retorno para a economia da cidade estimado em R$ 60 milhões e gerou +- 2.500 postos de trabalho diretos e indiretos.

Se você morre de vontade de conhecer o Ultra Miami, da uma olhada nesse post lotado de dicas e que da pra ter uma ideia de quanto custa pra realizar esse sonho! O próximo evento é nos dias 23, 24 e 25 de março de 2018 – veja o evento aqui – e os ingressos já estão à venda no site oficial. Compre aqui.

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Bjo Bjooo

XOXO

1 pensamento em “Review: Ultra Brasil 2017”

  1. Perfeita sua crítica, Mand! Eu e meu namorado fomos ao Ultra e foi exatamente essa percepção que tivemos, inclusive ele foi furtado no primeiro dia mas não deixamos que isso impactasse na nossa empolgação pra curtir os dias restantes. Espero muito que o Ultra volte e esses erros sejam corrigidos, já que estamos tão carentes de festivais grandes! Adoro seu insta e agora já amo seu blog!
    Beijos

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